Cuidado ao informar-se

Vive-se o mais de informação: o que vemos é o menos; vivemos da fé alheia: o ouvido é a segunda porta da verdade e a principal da mentira.

Baltasar Gracián y Morales (1601-1658), in ‘A Arte da Prudência’

A verdade de ordinário se vê; extraordinariamente se ouve; raras vezes chega no seu elemento puro, muito menos quando vem de longe; traz sempre alguma mistura de afetos por onde passa; a paixão tinge com as suas cores tudo o que toca, seja odiosa, seja favorável; puxa sempre a impressionar; muito cuidado com quem gaba, maior ainda com quem desgaba. É mister toda a atenção nesse ponto para descobrir a intenção de quem medeia, conhecendo de antemão por que razões é movido. Que a reflexão seja contraste do falto e do falso.

Palavra do Dia – Capulana

ca·pu·la·na 
(origem banta, talvez do tsonga)
nome feminino

[Moçambique] Faixa de tecido de algodão, fibra sintética ou seda, estampado e colorido, que, geralmente, as mulheres moçambicanas amarram à volta da cintura, cobrindo a parte inferior do corpo (ex.: a menina, embrulhada numa capulana, brincava na rua).

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

50 Grandes Discursos da História

“50 grandes discursos da História” é um livro de discursos que marcaram gerações.

Traz-nos uma excelente seleção, feita por Manuel Robalo e Miguel Mata. Ao contrário de muitas obras do género, que registam apenas excertos de intervenções históricas, a vantagem deste livro é publicá-las na íntegra.

A paleta é muito variada: tanto na proveniência dos atores como nas áreas abrangidas. Discursos de guerra, palavras parlamentares, sermões religiosos, até cartas.

De Jesus Cristo a Lutero, de Churchill a Hitler, de Salazar a Soares, de Sadat a Mandela, são séculos de mestria na condução de multidões.

Quem gosta de política, não pode deixar de ler estas palavras. Fica a sugestão de prenda de Natal.

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A Fatalidade do Não

A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efectivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não – ou a nossa própria fatalidade – é que não há nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim.

José Saramago, in Folha de S. Paulo (1991)